Internação de adolescentes dobra em oito anos em Mato Grosso
Na contramão da tendência nacional, Mato Grosso ampliou significativamente o número de adolescentes submetidos a medidas socioeducativas em regime de internação.
Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 mostram que o Estado passou de 168 adolescentes internados em 2024 para 231 em 2025, crescimento de 37,5% em apenas um ano.
O avanço elevou a taxa estadual de 33,1 para 45,2 adolescentes por 100 mil habitantes nessa faixa etária, colocando Mato Grosso entre os estados com maior índice de internação proporcional do país.
Mais expressivo ainda é o comportamento da série histórica. Em 2018, o sistema socioeducativo estadual mantinha 114 adolescentes em regime fechado.
Sete anos depois, esse número praticamente dobrou, alcançando 231 internos, crescimento acumulado de 102,6%.
O movimento contrasta com a realidade nacional. Enquanto Mato Grosso ampliou continuamente o uso da internação, o Brasil registrou queda expressiva da taxa de adolescentes privados de liberdade ao longo do mesmo período, reduzindo praticamente pela metade o indicador nacional.
Os dados revelam uma mudança importante no perfil da segurança pública estadual e levantam questionamentos sobre as causas desse crescimento.
Entre as hipóteses apontadas por especialistas estão o fortalecimento das facções criminosas, o aumento da participação de adolescentes em crimes violentos e no tráfico de drogas, além da intensificação das ações policiais e das decisões judiciais que determinaram a internação em substituição a outras medidas socioeducativas.
O Anuário, entretanto, não identifica quais infrações motivaram a maior parte das internações nem informa a distribuição dos adolescentes por idade, sexo ou município.
Outro ponto que merece atenção é a capacidade do sistema socioeducativo para absorver esse crescimento.
Aampliação do número de internos exige investimentos em infraestrutura, equipes multidisciplinares, educação, qualificação profissional e programas de reinserção social para reduzir a reincidência.
Especialistas alertam que a internação é considerada a medida socioeducativa mais severa prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e deve ser aplicada apenas em situações específicas, como atos infracionais praticados com violência ou grave ameaça ou em casos de reincidência em infrações graves.
Para pesquisadores da área, o aumento observado em Mato Grosso reforça a necessidade de compreender por que o Estado segue caminho oposto ao restante do país e quais fatores sociais, econômicos e criminais estão impulsionando o crescimento da participação de adolescentes na criminalidade.
Fonte: www.diariodecuiaba.com.br
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