Gasolina passa a ter 32% de etanol neste sábado
A gasolina comum vendida em todo o país passa a ter 32% de etanol anidro a partir deste sábado (1º), dois pontos percentuais acima do teor em vigor desde agosto do ano passado. A mudança consta de resolução do Conselho Nacional de Política Energética publicada nesta quinta-feira (30) em edição extra do Diário Oficial da União, vale por 180 dias e pode ser prorrogada uma única vez por igual período, por decisão do presidente do colegiado, cargo ocupado pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira. O texto foi aprovado pelo conselho em 14 de julho e recebeu o despacho de aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no dia 30, mesma data da publicação, dois dias antes de começar a valer.
A resolução dedica um artigo inteiro à margem de tolerância de um ponto percentual, para mais ou para menos, prevista em lei para o teor de etanol anidro. O conselho estabeleceu que essa folga tem natureza estritamente metrológica e operacional, destinada a acomodar incertezas analíticas e variações próprias dos processos de mistura, transporte e amostragem. E foi além ao registrar que a tolerância “não configura autorização para variação deliberada do teor de etanol pelos agentes econômicos”.
Na prática, o percentual fixado passa a ser tratado como objetivo normativo, e não como piso de uma faixa ampliada de cumprimento. O texto veda ainda que a tolerância seja somada a quaisquer outras margens de incerteza de medição para alargar os limites de conformidade. Na mudança anterior, quando o teor subiu para 30%, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis recomendou que postos e transportadores-revendedores-retalhistas não recebessem gasolina com percentual diferente do fixado e comunicassem a ocorrência à agência.
Mato Grosso produziu 7,27 milhões de metros cúbicos de etanol na safra 2025/26, dos quais 2,87 milhões de metros cúbicos de anidro, o tipo usado na mistura com a gasolina, segundo levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária. O estado responde por cerca de 62% do etanol de cereais produzido no Brasil e ocupa a segunda posição nacional em volume total, atrás de São Paulo. O mesmo instituto calcula que a passagem de 30% para 32% acrescenta cerca de 954 milhões de litros à demanda nacional pelo biocombustível em doze meses.
O Ministério de Minas e Energia sustenta que a medida deve reduzir em torno de 900 milhões de litros por ano a necessidade de importar gasolina, em um cenário de oscilação nos preços internacionais do petróleo. A pasta informou que ensaios conduzidos pelo Instituto Mauá de Tecnologia não apontaram impactos relevantes no funcionamento dos veículos, inclusive nos equipados com motores não flex, e estimou queda de cerca de três centavos por litro no preço da gasolina. Estudos sobre teores ainda maiores, como o de 35%, seguem em andamento no comitê técnico ligado à Lei do Combustível do Futuro.
O percentual de 30% não foi revogado, e sim suspenso enquanto durar a nova regra. Encerrados os 180 dias sem prorrogação ou norma que torne a mudança definitiva, o teor volta automaticamente ao patamar anterior. Ao anunciar a decisão, em julho, Silveira afirmou que o caráter transitório decorre de excesso de cautela e que a expectativa do governo é consolidar o novo percentual.
Donos de veículos flex não precisam de qualquer adaptação, embora possam registrar variação discreta no consumo. Carros importados e modelos antigos projetados para misturas menores são os mais sensíveis à mudança, com possibilidade de partida a frio irregular e desgaste de mangueiras e vedações, situação em que a recomendação usual é o uso de gasolina com teor reduzido de etanol.
Fonte: www.fatosdematogrosso.com.br
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