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Policial aposentado é indiciado por matar ex esposa em Cáceres

A Polícia Civil concluiu o inquérito sobre o assassinato da empresária Noeli Simsen, morta a tiros em 28 de setembro, em Cáceres (225 km a Oeste de Cuiabá).

E indiciou o ex-marido da vítima, o investigador aposentado Ricardo de Souza Pessoa, pelo crime de feminicídio.

A investigação revelou um histórico de ameaças, ciúmes excessivos, comportamento possessivo e controle da rotina da empresária, que havia tentado encerrar o relacionamento pelo menos três vezes antes de ser assassinada.

Segundo depoimentos de pessoas próximas, Noeli temia ser morta caso insistisse na separação.

O relacionamento, marcado por episódios de violência psicológica e física, teria se transformado em uma sucessão de intimidações e tentativas frustradas de rompimento.

Uma amiga relatou à polícia que a empresária era constantemente monitorada pelo ex-marido, que exigia chamadas de vídeo para verificar onde ela estava e com quem se encontrava.

A testemunha também afirmou ter percebido hematomas no corpo de Noeli em diferentes ocasiões.

Questionada, a empresária atribuía os ferimentos a quedas ou acidentes domésticos.

Em uma das conversas, Noeli teria revelado que tinha medo de pedir a separação e acabar assassinada.

TRÊS TENTATIVAS DE SEPARAÇÃO – De acordo com os depoimentos reunidos no inquérito, a empresária deixou a residência do casal três vezes na tentativa de encerrar o casamento.

Nas ocasiões, porém, teria sido procurada pelo ex-marido, que prometia mudar de comportamento e a convencia a retomar a convivência.

Testemunhas também relataram ameaças contra familiares da vítima, circunstância que teria contribuído para dificultar o rompimento definitivo.

Durante as investigações, a Polícia Civil encontrou uma carta escrita por Noeli na qual ela manifestava o desejo de que Ricardo aceitasse a separação e permitisse que seguisse sua vida.

O documento passou a integrar o conjunto de elementos analisados pelos investigadores para reconstruir o histórico do relacionamento.

Mesmo após o fim da convivência, a empresária continuava preocupada com a própria segurança.

Segundo pessoas próximas, ela compartilhava sua localização em tempo real por meio de um aplicativo, como forma de permitir que amigos acompanhassem seus deslocamentos.

ASSASSINATO NO HOTEL – Noeli foi assassinada dentro do Hotel Real, empreendimento ligado ao casal, onde estava morando após a separação.

Dois dias antes do crime, em 26 de setembro, ela informou a uma amiga que retornaria a Cáceres depois de uma viagem a Paris, na França, para resolver pendências administrativas do estabelecimento.

A amiga demonstrou preocupação com sua segurança, mas Noeli acreditava que, depois de aproximadamente quatro meses de separação, o ex-marido pudesse ter aceitado o término.

No dia 28, a empresária chegou ao hotel, realizou atividades relacionadas à administração do negócio e posteriormente foi descansar no quarto 19.

Segundo a investigação, Ricardo entrou no estabelecimento armado, apesar das tentativas de funcionários de impedir sua passagem.

Noeli foi atingida por três disparos e morreu no local.

A perícia não identificou sinais típicos de luta corporal ou reação física de defesa por parte da vítima.

Após o crime, o investigador aposentado se apresentou à Delegacia Regional de Cáceres com um revólver e declarou ter efetuado os disparos.

VIOLÊNCIA ANTERIOR AO CRIME – Para a Polícia Civil, o assassinato não pode ser analisado como um episódio isolado, mas como o desfecho de um relacionamento marcado por ameaças, intimidação e resistência do investigado em aceitar a separação.

O inquérito reúne depoimentos de testemunhas, registros de localização, informações sobre a movimentação no hotel e elementos periciais.

A conclusão da investigação foi encaminhada ao Ministério Público de Mato Grosso em 14 de outubro, para análise e eventual oferecimento de denúncia à Justiça.

O indiciamento representa a conclusão da apuração policial, mas não equivale a uma condenação judicial.

CRONOLOGIA DO CASO

  • Antes de setembro: segundo testemunhas, Noeli tenta encerrar o relacionamento três vezes e relata ameaças e comportamento controlador do ex-marido.
  • 26 de setembro: a empresária informa a uma amiga que retornaria de Paris a Cáceres para resolver questões administrativas do hotel.
  • 28 de setembro: Noeli é assassinada a tiros no quarto 19 do Hotel Real. Ricardo se apresenta à polícia após o crime.
  • 14 de outubro: o inquérito é encaminhado ao Ministério Público.
  • 28 de outubro: o caso completa um mês, com a divulgação de detalhes da investigação e do indiciamento por feminicídio.

Fonte: www.diariodecuiaba.com.br

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