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Predador: peixe exótico invade Rio Paraguai e é apanhada por pescador

Um pescador capturou um pirarucu na manhã desta terça-feira (2), no Rio Paraguai, em Cáceres. A presença do peixe acendeu um alerta porque a espécie não é natural da Bacia do Paraguai e é considerada invasora na região do Pantanal.

O vídeo da captura foi compartilhado pelo comandante naval Adilson Nani. Segundo ele, o peixe foi fisgado por um pescador conhecido como Cido, morador da região. Adilson contou ainda que este é o segundo caso de pirarucu no Rio Paraguai do qual teve conhecimento.

O pirarucu, de nome científico Arapaima gigas, é um peixe de grande porte e predador. Conforme a Resolução nº 02/2024 do Conselho Estadual de Pesca de Mato Grosso (Cepesca), a espécie está na lista de peixes exóticos, alóctones, invasores ou híbridos na Bacia do Alto Paraguai. A norma autoriza a captura e o transporte dessas espécies, exceto durante o período de defeso.

Depois de capturar o peixe, o pescador o devolveu ao rio.

De acordo com o biólogo e pesquisador da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), Derick Victor de Souza Campos, o pirarucu representa risco ao equilíbrio natural do Pantanal.

“Ele é considerado uma espécie invasora aqui na região do Pantanal. Assim como o tucunaré, essas espécies representam um perigo muito grande para o nosso ecossistema natural”, explicou.

Segundo o pesquisador, o pirarucu tem grande capacidade de adaptação em baías e lagoas, ambientes comuns no Pantanal. Com isso, pode colonizar rapidamente esses espaços e competir com espécies nativas por território e alimento.

Derick explica que peixes como pacu, pintado, cachara e dourado desovam na calha dos rios. Depois, quando as larvas crescem, elas migram para as baías. O problema é que, nesses locais, podem encontrar ambientes já ocupados por espécies exóticas, carnívoras e altamente competitivas.

A resolução do Cepesca também estabelece que os exemplares de espécies exóticas não são contabilizados na cota de captura e não precisam seguir medidas mínimas de pesca.

Na lista da Bacia do Alto Paraguai aparecem, além do pirarucu, espécies como tucunaré azul, tucunaré amarelo, tambaqui, tambacu, pirarara, corvina, tilápia, matrinxã e pirapitinga.

O coordenador municipal de Meio Ambiente de Cáceres, Dario Diego Senn, afirmou que o município acompanha a situação em parceria com instituições como a Unemat e o IFMT, além de participar de comitês de bacias hidrográficas da região.

“Nossas parcerias envolvem instituições de renome como Unemat e IFMT. Participamos dos comitês de bacias hidrográficas da nossa região e sempre estamos debatendo e fazendo, na prática, ações que envolvem monitoramento não somente do Rio Paraguai, mas também de seus afluentes, como Jauru, Cabaçal e Sepotuba”, disse.

Segundo Dario, a presença de peixes exóticos e invasores exige atenção por causa dos impactos ambientais.

“A questão de peixes exóticos e invasores a gente incentiva a pesca esportiva e a remoção desses animais, até porque existe ameaça ao equilíbrio ecológico, competição por alimento e predação de espécies nativas”, completou.

De acordo com a Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema-MT), a pesca e o abate de espécies exóticas e predadoras em bacias onde elas não são naturais são permitidos, desde que respeitado o período de defeso.

Fonte: primeirapagina.com.br

 

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