Mulheres ainda ganham 20% menos que homens e cargo de liderança é limitado
As mulheres brasileiras ainda recebem, em média, 20,9% menos que os homens, o que representa uma diferença real de R$ 990 por mês. Enquanto a remuneração média delas no país é de R$ 3.755, a deles chega a R$ 4.745. Os dados são do 3º Relatório de Transparência Salarial e Critérios Remuneratórios, do Ministério do Trabalho e Emprego, e foram debatidos em encontro promovido pelo Conselho da Mulher Empresária da Associação Comercial e Empresarial de Cuiabá (CME/ACCuiabá), com palestra da juíza do Trabalho Karina Rigato.
O levantamento traz um cenário ainda mais grave quando se aplica o recorte racial: entre as mulheres negras, a média salarial cai para R$ 2.864.
Para a magistrada Karina Rigato, os números evidenciam um desafio estrutural que persiste mesmo após décadas de avanços legislativos. “Mesmo após 80 anos da Consolidação das Leis do Trabalho, ainda convivemos com uma desigualdade salarial significativa no Brasil”, afirmou.
Durante a palestra, a juíza abordou os principais fatores que limitam a ascensão feminina no mercado de trabalho, como o chamado “teto de vidro”, barreiras invisíveis que dificultam o acesso de mulheres a cargos de liderança, e o “piso pegajoso”, relacionado à permanência feminina em funções com menor remuneração e baixa perspectiva de crescimento.
Os dados apresentados mostram que apenas 38% das mulheres ocupam posições de liderança nas empresas brasileiras. Nos cargos de direção e gerência, a remuneração feminina corresponde a 61,9% da recebida pelos homens. Segundo Karina, a equiparação salarial poderia gerar um impacto expressivo na economia nacional.
“A igualdade salarial entre homens e mulheres teria potencial para injetar cerca de R$ 95 bilhões na economia do país”, destacou.
Outro ponto debatido foi a validação da Lei 14.611/2023 pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A legislação estabelece mecanismos de transparência salarial e critérios remuneratórios, além da obrigatoriedade de relatórios semestrais e planos de ação para empresas com mais de 100 colaboradores.
O presidente da ACCuiabá, Jonas Alves, reforçou a necessidade de ampliar o debate sobre equidade dentro do ambiente corporativo. “As mulheres vêm conquistando cada vez mais espaço nas empresas, mas a diferença salarial ainda é uma realidade que precisa ser enfrentada e superada”, concluiu.
Fortalecimento Feminino
A presidente do CME/ACCuiabá, Mariza Bazo, destacou a atuação conjunta entre o Conselho da Mulher Empresária e a BPW Cuiabá, parceira na palestra. Ambas as entidades são voltadas ao fortalecimento da participação feminina no ambiente empresarial.
“Quando as associações atuam de forma conjunta, ampliam oportunidades, fortalecem conexões e contribuem para que mais mulheres ocupem espaços de liderança e decisão”, disse.
A empresária Adriane Silva, participante do encontro, relatou que a palestra trouxe orientações práticas muito importantes. “A palestrante falou de coisas que a gente nem imagina, até de perguntas na hora da entrevista que podem ser discriminatórias”.
Durante o encontro, também foram discutidos temas como critérios de promoção, assédio moral e sexual no ambiente de trabalho, transparência salarial e riscos jurídicos para empresas que mantêm práticas discriminatórias.
O encontro foi realizado no dia 25 de maio, na agência do Sebrae Mato Grosso do Goiabeiras Shopping, em Cuiabá, em parceria com a BPW Cuiabá.
Fonte: www.gazetadigital.com.br
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