Casos de malária no Norte acendem o alerta para transmissão em MT
O registro de cinco casos de malária em Alta Floresta (803 km ao Norte de Cuiabá) acendeu o alerta para o risco de transmissão da doença em Mato Grosso, especialmente em municípios do Norte e Noroeste, inseridos na Amazônia Legal.
A atenção é maior entre pessoas que vivem, trabalham ou circulam por áreas de garimpo, comunidades ribeirinhas e regiões próximas a rios.
O alerta foi emitido pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Alta Floresta, após a notificação dos cinco casos na região do Alto Tapajós.
A orientação é reforçar as medidas de prevenção e, principalmente, procurar atendimento diante do aparecimento de sintomas para que o diagnóstico seja realizado o mais rapidamente possível.
“O diagnóstico precoce permite que o tratamento seja iniciado oportunamente, reduzindo o risco de complicações e contribuindo para interromper a cadeia de transmissão”, informou a Secretaria.
Os registros também chamam atenção para outros municípios mato-grossenses considerados áreas de risco, entre eles Aripuanã, Colniza, Apiacás, Juruena e Peixoto de Azevedo.
Localizadas no Norte e Noroeste do Estado, essas cidades estão inseridas na Amazônia Legal, região onde a malária permanece endêmica.
1.154 NOTIFICAÇÕES – Dados do painel epidemiológico do Ministério da Saúde mostram que Mato Grosso contabiliza 1.154 notificações de malária, neste ano.
Ao longo de todo o ano de 2025, foram registrados 986 diagnósticos.
A comparação dos números indica que as notificações de 2026 já estão 17% acima do total informado para o ano passado.
A concentração da doença na Amazônia é uma característica do cenário epidemiológico brasileiro.
Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 99% dos casos de malária do país ocorrem na região amazônica, formada pelos estados do Acre, Amazonas, Amapá, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins.
Neste ano, o país soma 65.887 registros, dos quais 63.585 ocorreram na região amazônica.
Isso significa que aproximadamente 96,5% das notificações contabilizadas até agora estão nesses estados.
Entre as unidades da Amazônia Legal, o Amazonas concentra o maior número, com 30.875 casos.
Em seguida, aparecem Pará, com 13.650; Roraima, com 7.015; e Rondônia, com 5.326.
Mato Grosso aparece com números inferiores aos principais focos amazônicos, mas os novos registros reforçam a necessidade de vigilância nas regiões do Estado onde existem condições favoráveis à circulação da doença.
MOSQUITO TRANSMITE PARASITA – A malária é uma doença infecciosa, febril e aguda que pode evoluir para quadros graves.
É causada por parasitas do gênero Plasmodium, transmitidos principalmente pela picada de fêmeas infectadas de mosquitos do gênero Anopheles, popularmente conhecidos como mosquito-prego.
Entre os principais sintomas estão febre, calafrios, tremores, suor intenso, dor de cabeça, dores no corpo, fraqueza, cansaço, mal-estar e náuseas. Em alguns casos também podem ocorrer vômitos.
A manifestação dos sintomas pode variar entre os pacientes.
Por isso, a recomendação é que pessoas que vivem em áreas de risco ou estiveram recentemente nessas localidades procurem uma unidade de saúde caso apresentem febre ou outros sinais compatíveis com a doença.
O diagnóstico precoce tem dupla importância. Além de permitir o início rápido do tratamento e reduzir o risco de agravamento do quadro, também contribui para diminuir a possibilidade de continuidade da transmissão.
PREVENÇÃO – Nas regiões de risco, a recomendação é diminuir ao máximo a exposição às picadas dos mosquitos transmissores.
Entre as medidas indicadas estão o uso de repelentes, roupas de manga comprida e calças, além da instalação de mosquiteiros para dormir.
Portas, janelas e outras aberturas também devem, sempre que possível, ser protegidas com telas.
A orientação deve ser reforçada em residências próximas a rios e em estruturas flutuantes, onde é importante dificultar a entrada dos mosquitos.
Para a Secretaria de Saúde de Alta Floresta, além da proteção individual, é fundamental que pessoas com sintomas não retardem a procura por atendimento. Em uma região na qual há circulação do parasita, identificar e tratar rapidamente os casos é parte da estratégia para evitar que novos ciclos de transmissão sejam estabelecidos.
Fonte: www.diariodecuiaba.com.br
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