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Intoxicações mais que dobram em dez anos em Mato Grosso

As notificações de intoxicação exógena mais que dobraram em Mato Grosso no intervalo de dez anos.

Dados do Ministério da Saúde mostram que os registros envolvendo medicamentos, agrotóxicos, raticidas, produtos químicos, mercúrio, chumbo e outros agentes passaram de 1.008, em 2015, para 2.132, em 2024.

O crescimento foi de 111,5%. Ao longo do período, Mato Grosso contabilizou 13.395 notificações.

 

INFO intoxicação

Os números constam do boletim “Vigilância em Saúde de Populações Expostas a Substâncias e Contaminantes Químicos”, elaborado pelo Ministério da Saúde, e chamam a atenção para acidentes que muitas vezes acontecem dentro da própria residência e poderiam ser evitados com armazenamento e utilização adequados dos produtos.

O levantamento ganha dimensão local após a intoxicação de sete crianças, com idades entre 5 e 6 anos, registrada na segunda-feira (10), na Escola Municipal Marechal Cândido Rondon, em Cuiabá.

A suspeita é de que um aluno tenha levado de casa veneno para rato e, acreditando que o produto fosse bala, compartilhado com os colegas.

As crianças foram socorridas e hospitalizadas. Conforme as informações disponíveis, estão fora de perigo.

O episódio expõe um dos riscos destacados pelas autoridades sanitárias: produtos tóxicos armazenados inadequadamente podem ficar ao alcance de crianças e provocar acidentes graves.

1,6 MILHÃO NO PAÍS – Em todo o Brasil, foram registradas 1.663.855 notificações de intoxicação exógena no período analisado.

Os medicamentos aparecem como principal agente envolvido e respondem por 53% das ocorrências.

Segundo o Ministério da Saúde, além de provocarem elevado número de hospitalizações, essas intoxicações têm impacto sobre os serviços de saúde e reforçam a necessidade de prescrição racional, armazenamento seguro e acompanhamento dos pacientes durante os tratamentos.

Grande parte dos episódios acontece dentro de casa.

Produtos aparentemente comuns no ambiente doméstico também representam perigo quando utilizados ou guardados de forma inadequada. Entre eles estão medicamentos, pesticidas, raticidas e substâncias químicas como soda cáustica.

Para o Ministério da Saúde, a prevenção exige atuação conjunta das áreas de vigilância, assistência, regulação e educação em saúde.

AGROTÓXICOS – Em Mato Grosso, a exposição a agrotóxicos ganha importância adicional diante da dimensão da atividade agropecuária e do consumo desses produtos.

O levantamento considera nessa categoria agrotóxicos de uso agrícola, doméstico, veterinário e de saúde pública, além de raticidas.

Entre 2015 e 2024, Mato Grosso contabilizou 2.408 notificações de intoxicação envolvendo esses produtos.

No Brasil, foram 142.877 registros no mesmo período. Mato Grosso respondeu por cerca de 1,7% das ocorrências.

Mais da metade dos registros nacionais relacionados aos agrotóxicos está associada a exposições intencionais.

Do total, 50,4% foram classificados nessa categoria e 44,8% decorreram de circunstâncias não intencionais. Outros 3,1% estavam sem informação e 1,6% foram classificados em outras circunstâncias.

Um dado chama especialmente a atenção: entre as exposições intencionais, 97,8% — 70.418 notificações — foram classificadas como tentativas de suicídio.

Os dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) registram ainda 3.121 mortes decorrentes de intoxicação por agrotóxicos no país.

Entre os casos intencionais, 2.740 terminaram em morte, equivalentes a 3,8% das notificações desse grupo. Nas exposições não intencionais, foram 264 mortes, ou 0,4%.

O risco também varia de acordo com o produto envolvido.

Entre as intoxicações intencionais por raticidas, 1.020 casos, equivalentes a 2,5%, evoluíram para morte por intoxicação. Nos casos envolvendo agrotóxicos de uso agrícola, foram 447 mortes, correspondentes a 7,8%.

MT LIDERA COMERCIALIZAÇÃO – O levantamento também coloca Mato Grosso na liderança nacional da comercialização de agrotóxicos.

O Estado respondeu por 14,5% do total comercializado no país, seguido por São Paulo, com 11,9%, e Paraná, com 9,2%.

Juntos, os três Estados concentraram mais de um terço da comercialização nacional.

O Ministério da Saúde chama a atenção para os impactos que a exposição a esses produtos pode provocar sobre a saúde, especialmente entre pessoas que mantêm contato ocupacional ou frequente com as substâncias.

METAIS TÓXICOS – As intoxicações por chumbo e mercúrio aparecem em números bem menores nos registros oficiais de Mato Grosso, mas o próprio Ministério da Saúde alerta para a possibilidade de subnotificação.

Entre 2015 e 2024, foram registrados sete casos de intoxicação por chumbo no Estado. No país, foram 1.546.

Segundo o levantamento, os registros provavelmente representam apenas uma parcela das ocorrências.

A intoxicação por chumbo pode permanecer silenciosa e apresentar sintomas inespecíficos, dificultando o diagnóstico.

Entre as fontes de exposição estão resíduos industriais, tintas antigas e ambientes de trabalho sem condições adequadas de proteção.

Em relação ao mercúrio, o Brasil contabilizou 2.375 notificações no período. Oito delas ocorreram em Mato Grosso.

Embora os diferentes agentes apresentem riscos e características próprias, o crescimento das notificações reforça a necessidade de prevenção.

Em Mato Grosso, o número anual registrado em 2024 foi mais que o dobro daquele observado dez anos antes.

Fonte:www.diariodecuiaba.com.br

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