Exame de vista: saiba quando procurar um oftalmologista
Doenças que roubam a visão podem não dar sinais no começo; o oftalmologista Bruno Machado Fontes explica por que o exame regular faz tanta diferença e quando procurar avaliação.
Você sabia que aproximadamente 40% dos casos de cegueira poderiam ter sido evitados com diagnóstico precoce e tratamento adequado? Estudos mostram que uma parcela significativa das perdas visuais graves – em comunidades urbanas e rurais – resulta de condições que, identificadas a tempo, têm tratamento eficaz. Infelizmente, muitas dessas doenças não causam sintomas nas fases iniciais, fazendo com que o paciente só perceba o problema quando o dano já é irreversível. Por isso, a consulta regular com o médico oftalmologista é uma das medidas preventivas mais importantes que você pode adotar.
Principais causas de perda de visão no adulto
Glaucoma: doença que danifica o nervo óptico, frequentemente associada à pressão ocular elevada. É silencioso – a visão periférica se perde progressivamente antes que o paciente perceba qualquer alteração. É a segunda principal causa de cegueira no mundo.
Retinopatia diabética: complicação do diabetes que afeta os vasos da retina. Pode causar cegueira se não tratada. Estima-se que mais de 28% das pessoas com diabetes acima de 40 anos tenham algum grau de comprometimento da retina.
Degeneração macular relacionada à idade (DMRI): afeta a região central da retina, responsável pela visão de detalhes. É uma das principais causas de déficit visual grave em países desenvolvidos, especialmente após os 55 anos. O tabagismo é um dos principais fatores de risco.
Catarata: opacificação do cristalino que provoca visão embaçada. É a principal causa de baixa visão em adultos acima de 40 anos, mas tem tratamento cirúrgico eficaz. O tabagismo também aumenta o risco de progressão.
Miopia elevada e erros refrativos não corrigidos: mais da metade dos adultos acima de 40 anos tem algum grau de erro refrativo não corrigido. A miopia alta aumenta o risco de descolamento de retina. Estima-se que, até 2050, metade da população mundial será míope.
Com que frequência devo consultar o oftalmologista?
Não existe uma resposta única. A periodicidade ideal é individualizada e depende da sua idade, histórico familiar, achados em exames anteriores e presença de doenças como diabetes ou fatores de risco para glaucoma. O texto abaixo apresenta as recomendações da Academia Americana de Oftalmologia (2025) como referência geral:
A frequência das consultas ao oftalmologista deve ser individualizada de acordo com a idade, o histórico familiar, os resultados de exames anteriores e a presença de doenças como diabetes ou fatores de risco para glaucoma. Como referência geral, a Academia Americana de Oftalmologia (2025) recomenda que adultos com menos de 40 anos e sem fatores de risco realizem avaliações a cada 5 a 10 anos; entre 40 e 54 anos, a cada 2 a 4 anos; dos 55 aos 64 anos, a cada 1 a 3 anos; e a partir dos 65 anos, a cada 1 a 2
anos. Para pessoas com diabetes ou risco de glaucoma, o intervalo deve ser menor: a cada 2 a 5 anos antes dos 40 anos, a cada 1 a 3 anos entre 40 e 54 anos, a cada 1 a 2 anos dos 55 aos 64 anos e anualmente a partir dos 65 anos. No caso do diabetes tipo 1, a recomendação é realizar o primeiro exame cinco anos após o diagnóstico e, depois, anualmente. Para quem tem diabetes tipo 2, a avaliação deve ocorrer no momento do diagnóstico e ser repetida anualmente.
Quando procurar ajuda sem esperar
Independentemente da faixa etária, qualquer sintoma novo – visão turva, pontos escuros, flashes de luz, dor ocular ou vermelhidão – justifica uma consulta imediata. Recomenda-se também que adultos sem sintomas ou fatores de risco realizem uma avaliação oftalmológica de referência aos 40 anos.
Preserve a sua visão. Consulte um médico oftalmologista regularmente e não espere os sintomas aparecerem. O melhor tratamento para a cegueira evitável é o diagnóstico precoce.
Share this content:






Publicar comentário