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MT chega a 41 feminicídios e amplia canais digitais para denúncias

Mato Grosso chegou à marca de 41 feminicídios registrados em 2026, segundo levantamento do Observatório Caliandra.

O número evidencia a gravidade da violência contra a mulher no Estado, bem como reforça a necessidade de ampliar os mecanismos de prevenção, denúncia e proteção às vítimas.

Nesse cenário, o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) prepara o lançamento de novos canais digitais de atendimento.

Isso vai permitir a mulheres em situação de violência buscar orientação, registrar denúncias e acompanhar solicitações sem a necessidade de comparecer inicialmente a uma unidade presencial.

As ferramentas estarão disponíveis a partir da próxima quarta-feira (28), por meio de uma página exclusiva da Ouvidoria da Mulher, no portal do Ministério Público, e de uma área específica no aplicativo MPMT Cidadão.

A iniciativa pretende reduzir obstáculos enfrentados por mulheres que, por medo, dependência financeira, ameaças ou dificuldades de deslocamento, encontram barreiras para procurar ajuda.

Os serviços também poderão ser utilizados por testemunhas e outras pessoas que tenham conhecimento de situações de violência.

DENÚNCIAS PELA INTERNET — A nova estrutura digital permitirá encaminhar denúncias, solicitar apoio e obter informações sobre os serviços disponíveis na rede de proteção às mulheres.

O registro poderá ser feito com identificação da pessoa denunciante ou de forma anônima.

Durante o preenchimento do formulário, será possível informar detalhes da ocorrência, dados sobre o suposto agressor, fatores de risco e o tipo de violência relatada.

A ferramenta contemplará situações de violência física, psicológica, sexual, patrimonial e moral, além de violência institucional, política de gênero, digital e vicária.

Também será possível anexar documentos, fotografias e boletins de ocorrência que ajudem a esclarecer os fatos.

Após o envio, o sistema fornecerá um número de protocolo e uma senha, permitindo acompanhar o andamento da solicitação.

Outra funcionalidade será a consulta aos pontos de atendimento presencial existentes nos municípios mato-grossenses, com endereços e contatos dos órgãos que integram a rede local de proteção.

O ambiente virtual reunirá ainda materiais informativos sobre os direitos das mulheres e as diferentes formas de violência previstas na legislação.

A proposta é facilitar o acesso à informação e aos serviços de apoio, especialmente para mulheres que ainda não sabem a qual órgão recorrer.

MEDIDAS PROTETIVAS — A ampliação dos canais de denúncia também chama a atenção para uma questão central no enfrentamento ao feminicídio: a identificação antecipada de situações de risco.

Em levantamento anterior do Observatório Caliandra, quando Mato Grosso contabilizava 38 feminicídios em 2026, apenas duas vítimas possuíam medidas protetivas.

Os dados também indicavam que 22 mulheres haviam sido assassinadas dentro de suas residências e que os crimes deixaram 58 filhos órfãos.

O número atualizado de vítimas que possuíam medidas protetivas entre os 41 casos ainda precisa ser confirmado junto ao Ministério Público. 

Não é possível presumir que a proporção tenha permanecido a mesma.

As medidas protetivas de urgência são instrumentos previstos na Lei Maria da Penha e podem determinar, entre outras providências, o afastamento do agressor do lar e a proibição de contato ou aproximação da vítima.

Em Mato Grosso, as mulheres já podem registrar ocorrências e solicitar medidas protetivas pela Delegacia Virtual e pelo sistema SOS Mulher.

Segundo a Polícia Civil, foram solicitadas 18.223 medidas protetivas no Estado em 2025.

ACOLHIMENTO E PREVENÇÃO — Para a ouvidora da Mulher do MPMT, procuradora Silvana Corrêa Vianna, a ampliação dos canais representa um avanço no atendimento às vítimas.

“A iniciativa fortalece a rede de proteção às mulheres ao ampliar os canais de acesso ao Ministério Público”, afirmou.

Segundo ela, a ferramenta permitirá reunir informações importantes sobre cada ocorrência, favorecendo a avaliação dos riscos e a adoção dos encaminhamentos adequados.

O procurador-geral de Justiça, Rodrigo Fonseca Costa, também destacou que a iniciativa busca aproximar a instituição da população e facilitar o acesso aos mecanismos de proteção.

A eficácia das novas ferramentas, entretanto, dependerá não apenas da facilidade para registrar denúncias, mas também da capacidade dos órgãos públicos de analisar os relatos, identificar situações de maior risco e encaminhar as vítimas aos serviços competentes.

EM CASO DE EMERGÊNCIA — O Ministério Público ressalta que os novos canais digitais não substituem o atendimento policial imediato.

Mulheres que estejam sofrendo agressões ou enfrentando ameaça iminente devem acionar a Polícia Militar, pelo telefone 190.

Para denúncias e orientações, também está disponível a Central de Atendimento à Mulher, pelo prefixo 180, serviço gratuito que funciona 24 horas por dia.

A expectativa é que a ampliação das possibilidades de denúncia contribua para romper o silêncio em torno da violência doméstica e permita que mais mulheres encontrem proteção antes que as ameaças evoluam para agressões graves ou feminicídios.

Fonte: www.diariodecuiaba.com.br

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