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Facções já estão em 92 cidades e entram na campanha pelo Governo

As facções criminosas já estão presentes em 92 dos 141 municípios de Mato Grosso, o equivalente a 65,2% das cidades do Estado.

O avanço do crime organizado pelo território mato-grossense chegou também à campanha pelo Governo.

Mas, os programas apresentados pelos seis candidatos mostram diferenças importantes entre as estratégias e uma deficiência comum: não estabelecem quanto custarão, em quanto tempo serão executadas nem qual redução da presença das organizações pretendem alcançar.

O diagnóstico territorial é do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

O Comando Vermelho (CV) aparece em 85 municípios e, em 71 deles, é a única facção identificada.

Outras 14 cidades registram disputa entre dois ou mais grupos criminosos.

O mapa mostra que o problema deixou de estar restrito aos grandes centros e alcançou cidades do interior, áreas rurais e corredores econômicos.

INFO facções

Segundo o levantamento, os municípios com disputa entre facções se concentram principalmente nas áreas de influência das BRs 163 e 364, enquanto a extensa fronteira de Mato Grosso com a Bolívia funciona como rota para o narcotráfico.

A dimensão do tráfico aparece também nas apreensões: em 2024, foram retiradas de circulação mais de 23 toneladas de cocaína em Mato Grosso, volume próximo da metade do apreendido pelos Estados que integram a Amazônia Legal.

O quadro continuou pressionando as forças de segurança no ano seguinte.

Dados citados na apresentação das propostas eleitorais apontam mais de 59 toneladas de drogas apreendidas em 2025, crescimento de 44% sobre 2024, considerando diferentes tipos de entorpecentes.

É diante desse cenário que Otaviano Pivetta (Republicanos), Wellington Fagundes (PL), Natasha Slhessarenko (PSD), Sargento Laudicério (Agir), Maurício Coelho (Mobiliza) e Rafaell Milas (Missão) apresentam suas respostas para o crime organizado.

PIVETTA: TECNOLOGIA E ISOLAMENTO – Pivetta concentra sua estratégia em inteligência, monitoramento e controle do sistema penitenciário.

O programa prevê ampliar o Vigia Mais MT para as divisas estaduais e a fronteira com a Bolívia, com leitura automática de placas e emissão de alertas integrados ao Ciosp.

O governador também propõe criar um Batalhão Rural da Polícia Militar, ampliar Força Tática e Rotam nas regiões integradas de segurança e implantar delegacias regionais especializadas no combate ao crime organizado.

Nas prisões, a promessa é construir novos módulos de segurança máxima no interior, seguindo o modelo do Raio 8 da Penitenciária Central do Estado, e universalizar bloqueadores de celular, internet e radiocomunicação nas principais unidades de regime fechado.

O programa, entretanto, não informa no material analisado quantos módulos serão construídos, quantas delegacias especializadas serão abertas, qual o investimento necessário ou em quanto tempo a expansão será concluída.

WELLINGTON: FRONTEIRA E DINHEIRO – Wellington apresenta um Programa Estadual de Combate ao Crime Organizado e coloca a fronteira entre as prioridades.

O candidato promete aumentar efetivo e equipamentos do Grupo Especial de Fronteira (Gefron), expandir suas bases e buscar recursos federais.

Também propõe levar videomonitoramento aos municípios e empregar drones.

Outra frente é atingir o caixa das facções.

O programa prevê rastreamento de ativos e mecanismos para combater o financiamento das organizações criminosas, além da modernização da investigação e da perícia digital.

No sistema penitenciário, Wellington inclui scanners corporais, bloqueadores de comunicação e equipamentos antidrones.

Assim como ocorre com Pivetta, não aparecem no plano apresentado metas numéricas para redução das cidades com presença de facções, cronograma de implantação ou orçamento específico para o programa.

NATASHA: INTEGRAÇÃO E PREVENÇÃO – Natasha aposta na integração das forças estaduais com órgãos federais e numa estratégia que combina repressão e prevenção.

Seu programa propõe inteligência de fronteira, ampliação das câmeras de monitoramento no interior e criação de unidades integradas reunindo diferentes forças de segurança.

A candidata acrescenta um componente social à estratégia: esporte, cultura, escola e assistência em bairros considerados vulneráveis como instrumentos para dificultar o recrutamento de crianças e adolescentes pelo crime organizado.

No sistema prisional, prevê educação, trabalho remunerado e qualificação dos presos, redução da superlotação e acompanhamento dos egressos.

Também nesse caso, o programa não quantifica quanto será investido nem estabelece número de unidades, municípios atendidos ou meta de redução da atuação das facções.

MILAS: PRESÍDIO E CONFISCO – Rafaell Milas apresenta algumas das medidas mais específicas.

Propõe construir um presídio estadual de segurança máxima, denominado “Inferno Pantaneiro”, para isolar líderes de organizações criminosas.

A unidade teria celas individuais, bloqueio de comunicação, scanner corporal tridimensional e protocolos diferenciados de custódia.

Milas também propõe um núcleo integrado entre Polícia Civil, Polícia Penal e Sefaz para localizar, bloquear e confiscar patrimônio relacionado ao crime organizado.

Na fronteira, promete drones de longo alcance, sensores termais e imagens de satélite, além de reconhecimento facial, leitura automática de placas e modernização da perícia criminal.

Apesar do detalhamento dos equipamentos, não há no material analisado estimativa de custo do presídio, capacidade prevista, local, prazo para construção ou projeção financeira das demais medidas.

LAUDICÉRIO E MAURÍCIO – Sargento Laudicério concentra sua proposta no aumento do efetivo policial, integração das forças, controle das penitenciárias e prevenção ao recrutamento de jovens.

Educação e permanência de crianças e adolescentes na escola aparecem como instrumentos de segurança.

Maurício Coelho denomina seu conjunto de propostas de “A Máquina de Guerra”. Defende compartilhamento de informações entre Polícia Militar, Civil e Penal e forças federais, fortalecimento do Bope e utilização de drones para vigiar fronteiras, rotas de fuga e áreas de atuação das facções.

Também nesses dois programas, as propostas divulgadas não vêm acompanhadas de custo, prazo ou indicador capaz de medir o resultado prometido.

O QUE OS PLANOS NÃO RESPONDEM – As diferenças entre os candidatos são claras.

Pivetta combina tecnologia e endurecimento prisional. Wellington acrescenta fronteira e rastreamento financeiro. Natasha dá maior espaço à prevenção social

Milas aposta no isolamento de lideranças e confisco patrimonial.Laudicério enfatiza efetivo e prevenção. E Maurício prioriza capacidade operacional e drones.

Mas, nenhum dos programas analisados responde integralmente a uma pergunta mensurável: dos atuais 92 municípios com presença identificada de facções, para quantos esse número deverá cair ao final de quatro anos?

Também não há, nas propostas divulgadas, uma estimativa consolidada de investimento para o enfrentamento às organizações, quantidade de policiais adicionais, número de novas estruturas, prazo de implantação ou indicadores periódicos de resultado.

Essa ausência impede, por enquanto, transformar as promessas em compromissos que possam ser cobrados objetivamente.

A campanha oferece diferentes instrumentos para enfrentar o crime organizado.

O dado do FBSP, porém, estabelece uma régua mais concreta: hoje, organizações criminosas têm presença identificada em quase duas de cada três cidades de Mato Grosso.

A disputa eleitoral terá de mostrar não apenas quem promete combatê-las, mas quem consegue explicar quanto pretende gastar, o que fará primeiro, em quanto tempo e qual resultado entregará ao final do mandato.

Fonte: www.diariodecuiaba.com.br

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