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Três cidades de MT ignoram sistema contra fome e têm 30% no Bolsa Família

Os três menores municípios de Mato Grosso que ainda não aderiram ao sistema nacional de combate à fome têm, juntos, 5.008 habitantes, dos quais 1.471 são beneficiários do Bolsa Família. O número representa 29,4% da população de Araguainha, Reserva do Cabaçal e Novo Santo Antônio.

Apesar da presença significativa de moradores em situação de vulnerabilidade socioeconômica, as três Prefeituras permanecem fora do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan), criado para articular ações da União, dos Estados, dos municípios e da sociedade civil destinadas à garantia do acesso à alimentação.

Em agosto de 2026, as 540 famílias atendidas pelo Bolsa Família nos três municípios receberam, juntas, R$ 364,5 mil. O benefício médio foi de R$ 675,17.

O maior percentual foi registrado em Novo Santo Antônio, a aproximadamente 1.063 quilômetros de Cuiabá. Dos 2.041 habitantes do município administrado pelo prefeito Júnior Contador (PSB), 717 recebem o Bolsa Família, o equivalente a 35,1% da população. Foram atendidas 270 famílias, com repasse mensal de R$ 183,2 mil.

Em Reserva do Cabaçal, a 380 quilômetros de Cuiabá, 521 dos 1.978 moradores são beneficiários do programa. O grupo representa 26,3% da população. Sob a gestão do prefeito Jonas Campos (PP), o município recebeu R$ 116 mil para atender 174 famílias em agosto.

Já Araguainha, a aproximadamente 460 quilômetros de Cuiabá, possui 989 habitantes, sendo o município menos populoso do Estado. Desse total, 233 pessoas, ou 23,6% da população, são atendidas pelo Bolsa Família. O investimento destinado às 96 famílias beneficiárias alcançou R$ 65,3 mil. A Prefeitura é comandada por Chiquinho (União Brasil).

O recebimento do Bolsa Família não significa, isoladamente, que todas essas pessoas enfrentem insegurança alimentar. Os dados, contudo, indicam a presença de famílias de baixa renda e ajudam a dimensionar a vulnerabilidade socioeconômica nos três municípios.

Além do programa de transferência de renda, 82 famílias das três cidades foram contempladas pelo Gás do Povo em julho de 2026. Foram disponibilizados R$ 10,3 mil, considerando o valor de R$ 126 por família. Reserva do Cabaçal teve 42 famílias atendidas; Novo Santo Antônio, 23; e Araguainha, 17.

Adesão amplia articulação

O Sisan integra ações de assistência social, saúde, educação e agricultura, além de facilitar a participação dos municípios em políticas como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).

Em Mato Grosso, somente 40 das 142 cidades aderiram ao sistema. A baixa participação contrasta com os dados do IBGE: em 2024, 885 mil moradores enfrentavam algum grau de insegurança alimentar, incluindo 95 mil em situação grave. Apesar da redução registrada em relação a 2023, o problema ainda atingia 22,1% dos domicílios do Estado.

Fiscalização do TCE

A baixa adesão municipal entrou no radar do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT). Na quarta-feira (09.09), o órgão anunciou a criação de um grupo de trabalho para mapear a insegurança alimentar nos 142 municípios e verificar quais políticas públicas chegam efetivamente à população.

O levantamento deverá avaliar planejamento, financiamento, infraestrutura, cobertura dos programas e capacidade das Prefeituras de acessar os recursos disponíveis. A fiscalização também poderá identificar se a ausência dos municípios no Sisan decorre de dificuldades administrativas, falta de estrutura, desconhecimento ou não cumprimento dos requisitos necessários.

A reportagem encaminhou questionamentos às Prefeituras de Araguainha, Reserva do Cabaçal e Novo Santo Antônio para saber os motivos da não adesão, se existem dificuldades administrativas e se há previsão de entrada no sistema. Também foram solicitadas informações sobre as políticas municipais de segurança alimentar. Até a publicação da matéria, não houve retorno. O espaço permanece aberto para manifestação.

Fonte: www.vgnoticias.com.br

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