Pivetta minimiza investigação e diz confiar em Mendes; ‘não tem culpa no cartório’
O governador Otaviano Pivetta (Republicanos) minimizou a informação de que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) abriu investigação contra o ex-governador Mauro Mendes (União), para apurar possível favorecimento de sua gestão ao Banco Master, para credenciá-lo para operar empréstimos consignados a servidores do Estado.
Questionado sobre o caso, Pivetta alegou que não ficou sabendo, mas que ninguém está livre de investigações. Contudo, diz confiar em Mauro e que, durante o período eleitoral, muitas coisas surgem ‘além da verdade’. “Todos nós estamos sujeitos a isso. Eu confio no Mauro Mendes. Posso dizer isso, que eu confio nele. E que, nesse período, muitas coisas acontecem além da verdade. Então vamos aguardar os fatos, vamos aguardar a justiça. “A justiça sempre prevalece”, disse nesta quarta-feira (24) durante visita à Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT).
A informação publicada pela jornalista Malu Gaspar, de O Globo, caiu como uma bomba no núcleo político de Mauro Mendes, já que a reportagem saiu um dia após o lançamento de sua pré-candidatura ao Senado Federal. Questionado se a investigação poderá prejudicar o aliado, o governador acha ‘pouco provável’ e reafirmou sua confiança em Mauro Mendes. “Eu sei que ele não tem culpa no cartório”, concluiu.
Segundo O Globo, a suspeita gira em torno do modelo de implantação do cartão de benefícios Credcesta, controlado pelo Banco Master. De acordo com os levantamentos, o processo envolveu a ampliação da margem consignável dos servidores e a garantia de uma espécie de monopólio sobre o serviço no âmbito estadual, o que teria comprometido parte significativa da folha de pagamento do funcionalismo público local.
A reportagem cita o decreto de 5 de maio de 2023, que estabeleceu uma margem consignável exclusiva de 10% para cartões de benefícios para servidores e pensionistas. Três dias depois, no dia 8, o banco de Daniel Vorcaro solicitou o credenciamento para operar o programa. Após 24h, o procedimento foi aberto na instância estadual e, em 12 de maio, pouco mais de meia hora após o Master submeter um documento complementar, o governo deu parecer favorável e abriu caminho para o Credcesta operar no estado.
A portaria oficializando o credenciamento do Master foi publicada no Diário Oficial em 1º de junho de 2023, com vigência até maio de 2028. Ainda segundo O Globo, a informação foi confirmada por fontes da investigação. A apuração, aberta a pedido da Procuradoria-Geral da República, corre em sigilo no Tribunal.
Em manifestações públicas após o caso vir à tona, Mauro Mendes negou veementemente qualquer irregularidade ou favorecimento ao Banco Master. O ex-governador afirmou que pagou as próprias despesas de viagem e que a sua presença no restaurante em Nova York tratou-se de uma mera coincidência.
Mendes ressaltou ainda que ocupou uma mesa distinta da comitiva do Rio de Janeiro e que nunca conversou com representantes do banco, reforçando que os atos de sua gestão sempre prezaram pela eficiência administrativa. Questionado pelo O Globo sobre a investigação no STJ, Mauro Mendes negou irregularidades e afirmou que os atos de sua gestão “seguiram a legalidade e demais princípios da administração pública”.
Em relação, o ex-governador afirmou que outras 24 instituições financeiras também foram credenciadas durante seu governo e que, no período, “ao menos dez estados já haviam implementado” a modalidade. “Portanto, o Master era apenas mais um e não foi o primeiro a ter o cadastro aprovado. O governo de Mato Grosso preza por eficiência”, declarou.
Fonte: www.gazetadigital.com.br
Fonte: Christiano Antonucci
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