Frio causa gripe? Confira mitos e verdades sobre as doenças respiratórias
Basta o frio chegar e, com a queda da temperatura os sintomas clássicos de resfriados e gripes surgem: o nariz escorrendo, cabeça pesada, podendo estar acompanhada de tosse e congestionamento nasal. Com isso, casacos e meios de aquecimento são procurados. Mas será que o frio por si só é realmente causador de doenças respiratórias?
Cuiabá registrou um aumento de 401,63% nos casos de influenza A e B, nos quatro primeiros meses de 2026, em comparação ao mesmo período de 2025. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), foram registrados 290 casos de influenza A e B em residentes de Cuiabá entre janeiro e maio do ano passado, ante 1.454 casos notificados em pacientes cuiabanos nos mesmos meses deste ano.
De acordo com a médica radiologista especialista em imagem abdominal e torácica, Claudia Friedrich, o frio altera mecanismos de defesa do organismo, modifica hábitos da população, favorecendo a circulação de vírus, já que, com a queda da temperatura, as pessoas ficam em ambientes fechados, pouco ventilados.
Para ajudar a distinguir fatos de crenças populares, a especialista separa mitos e verdades.
❄️ O frio causa gripe?
Mito. Segundo a médica, a gripe é causada por vírus e não pela baixa temperatura. O que acontece é que o inverno cria condições favoráveis para a transmissão desses agentes infecciosos.
“Pesquisas publicadas no Journal of Allergy and Clinical Immunology indicam que a queda da temperatura na cavidade nasal reduz a capacidade de defesa local do organismo. O resfriamento da mucosa diminui a liberação de vesículas extracelulares, estruturas produzidas pelas células do nariz que ajudam a capturar e neutralizar vírus antes que eles invadam o organismo”, narra a médica.
😷 Pessoas com doenças respiratórias sofrem mais no inverno?
Verdade. Pacientes com asma, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), bronquite e fibrose pulmonar costumam apresentar maior sensibilidade às mudanças de temperatura.
“O ar frio pode desencadear irritação das vias aéreas e agravar sintomas como falta de ar, chiado e tosse persistente. Em muitos casos, infecções virais também funcionam como gatilho para crises respiratórias”, descreve a médica.
🏥Exames de imagem só são necessários em casos graves?
Mito. Radiografias e tomografias não são indicadas para qualquer resfriado ou quadro gripal simples. No entanto, segundo a médica, desempenham papel importante quando sintomas persistem, quando há suspeita de complicações ou o paciente pertence a grupos de risco, como idosos, gestantes, bebês, crianças e imunossuprimidos.
🤒Sintomas que duram semanas devem despertar alerta?
Verdade. Tosse persistente, cansaço, chiado no peito e falta de ar costumam ser atribuídos a gripes mal curadas ou aos efeitos do clima seco. Mas, quando permanecem por mais de três semanas, merecem avaliação médica.
“Os mesmos sintomas podem estar associados a condições muito diferentes, desde infecções prolongadas até doenças inflamatórias, fibroses pulmonares e tumores em estágio inicial”, cita a especialista.
🚪Abrir janelas ajuda a prevenir infecções?
Verdade. Manter ambientes ventilados é uma medida eficaz para reduzir a concentração de vírus no ar. A circulação diminui a exposição a partículas respiratórias potencialmente contaminadas e reduz o risco de transmissão, especialmente em escritórios, escolas, transporte coletivo e residências com muitas pessoas.
Além destas explicações, a médica Claudia Friedrich recomenda outras orientações.
🤧❄️ Recomendações e cuidados para prevenir as gripes em dias frios
Dados do Instituto Todos pela Saúde mostram que os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) causada por influenza quase dobraram no país no primeiro trimestre do ano, passando de 1.838 registros em 2025 para 3.584 no mesmo período deste ano.
Manter a vacinação em dia
A vacinação contra a gripe é uma das principais formas de prevenção, ajudando a reduzir o risco de complicações e casos graves da doença.
Evitar ambientes fechados e sem ventilação
Procure não permanecer por longos períodos em locais fechados, pois esses ambientes favorecem a circulação de vírus respiratórios.
Higienizar as mãos com frequência
Lavar as mãos regularmente com água e sabão ou utilizar álcool em gel ajuda a impedir a disseminação de vírus e bactérias.
Hidratar-se adequadamente
A ingestão de água ajuda a manter o organismo funcionando corretamente e contribui para a proteção das vias respiratórias.
Controlar doenças respiratórias já diagnosticadas
Pessoas com asma, bronquite e outras doenças respiratórias devem seguir o tratamento médico e manter acompanhamento regular.
Procurar avaliação médica
Busque atendimento de saúde caso os sintomas persistam, se agravem ou sejam acompanhados de falta de ar e outros sinais de alerta.
“Em um contexto de aumento das doenças respiratórias e envelhecimento da população, identificar problemas precocemente pode significar tratamentos mais simples, menos complicações e melhor qualidade de vida”, conclui a médica.
Foto: Reprodução
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