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Duas horas de tela por dia já podem prejudicar linguagem e atenção de bebês

Crianças pequenas que passam duas horas ou mais por dia diante de telas, como celulares, tablets e televisão, podem apresentar atrasos no desenvolvimento da linguagem, dificuldades de atenção e problemas de comportamento. O alerta consta no estudo “Proteção à primeira infância entre telas e mídias digitais”, elaborado pelo Núcleo Ciência Pela Infância, que reúne evidências científicas nacionais e internacionais sobre os impactos do uso excessivo de tecnologias nos primeiros anos de vida.

De acordo com as pesquisas analisadas, crianças de 3 anos expostas a duas horas ou mais de telas por dia apresentam maior risco de prejuízos na linguagem, com vocabulário reduzido e dificuldade de compreensão, além de alterações no comportamento, como impulsividade, irritabilidade e menor capacidade de autorregulação emocional. Os estudos indicam ainda que o excesso de telas está associado a problemas de atenção, dificultando a concentração e a capacidade de seguir instruções simples.

O impacto não se limita à linguagem. Pesquisas apontam que o uso prolongado de telas nessa fase da vida pode afetar o desenvolvimento cognitivo global, interferindo em habilidades essenciais que se formam na primeira infância, como memória, controle de impulsos e interação social. Crianças expostas precocemente a longos períodos de tela tendem a ter mais dificuldades em lidar com frustrações, esperar a vez e manter interações presenciais, fundamentais para o aprendizado.

O estudo destaca que, entre 18 meses e 3 anos, cada aumento no tempo diário de exposição às telas está associado a piores indicadores de desenvolvimento socioemocional. Em famílias de baixa renda, o cenário é ainda mais preocupante: cerca de 69% das crianças estão expostas de forma excessiva às telas, muitas vezes porque o celular acaba sendo usado como estratégia para ocupar a criança diante da falta de rede de apoio, espaços de lazer e tempo disponível dos cuidadores.

Outro ponto de atenção é o chamado “déficit de vídeo”. Pesquisas mostram que bebês e crianças pequenas aprendem menos com conteúdos apresentados em telas do que com interações presenciais. Mesmo vídeos ou aplicativos considerados educativos não substituem a troca direta com adultos e outras crianças, que envolve contato visual, diálogo, gestos, brincadeiras e estímulos do ambiente real.

Além dos prejuízos no desenvolvimento, o uso excessivo de telas está relacionado a problemas de sono, alimentação desregulada e maior sedentarismo. Crianças que passam muito tempo diante de dispositivos eletrônicos tendem a dormir menos e pior, o que agrava ainda mais dificuldades de atenção e comportamento durante o dia.

Especialistas reforçam que o problema não é apenas o tempo de tela, mas também a ausência de mediação adulta. Conteúdos inadequados para a idade, uso sem supervisão e a substituição do brincar e da convivência familiar por telas aumentam os riscos. As recomendações da Sociedade Brasileira de Pediatria e da Organização Mundial da Saúde indicam zero exposição a telas para crianças de até 2 anos e, dos 2 aos 5 anos, no máximo uma hora por dia, sempre com acompanhamento de um adulto.

Segundo os pesquisadores, reduzir o tempo de tela e incentivar atividades como leitura, brincadeiras ao ar livre e interação familiar é uma das formas mais eficazes de proteger o desenvolvimento infantil.

Fonte: www.vgnoticias.com.br

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