62% dos trabalhadores não investem na aposentadoria
Uma pesquisa inédita realizada pela Associação Brasileira de Profissionais de Educação Financeira (ABEFIN), em parceria com o Instituto Axxus, intitulada Pesquisa ABEFIN: Aposentadoria, INSS e Previdência Privada a realidade em 2025, pontua que a maior parte dos brasileiros economicamente ativos não está preparada para a aposentadoria. Os dados revelam um problema comportamental enraizado, a incapacidade de planejar o futuro em meio às pressões do presente.
A pesquisa ouviu 600 trabalhadores em todo o país, com margem de erro de 4% e índice de confiança de 95%. A amostra reflete bem o mercado de trabalho: dos 78,3 milhões de trabalhadores brasileiros em 2025, metade está na formalidade (CLT ou CNPJ) e metade na informalidade.
Esse dado mostra que a contribuição regular para a Previdência Social ou para planos privados fica comprometida quando 49,7% da força de trabalho sobrevive em condições precárias, sem vínculo empregatício.
Entre os entrevistados, 62% afirmaram não guardar nenhum recurso para a aposentadoria. Isso significa que, de cada 10 brasileiros em idade produtiva, seis vivem apenas do presente, sem qualquer preparo para o futuro. Entre os 38% que economizam, há dispersão: 31% citam o INSS, 42% a previdência privada e 38% outras formas de reserva, como poupança, imóveis ou investimentos.
Mas mesmo entre os que poupam, predomina a incerteza. Apenas 19% dos que investem em previdência privada acreditam que terão condições de manter uma vida financeira saudável sem depender de terceiros.
Outros 38% reconhecem que terão de continuar trabalhando para sustentar o padrão de vida. O medo de envelhecer sem recursos está tão presente que só 7% dos que contribuem com o INSS acreditam que o benefício será suficiente para viver com dignidade.
Outro dado chama a atenção: 41% dos entrevistados afirmaram que, se perdessem a renda hoje, conseguiriam manter o padrão de vida por menos de três meses. Outros 39% resistiriam de três a seis meses. Ou seja, 8 em cada 10 brasileiros não têm reservas mínimas para enfrentar meio ano sem renda.
Ciclo de dependência intergeracional
A pesquisa também investigou a situação financeira dos pais dos entrevistados, e os resultados ajudam a entender por que os filhos seguem o mesmo caminho. Entre os que já são aposentados, 29% dependem financeiramente dos filhos ou de terceiros. Outros 41% continuam trabalhando, mesmo após o fim da vida laboral formal.
Ao serem questionados por que não contribuem para o INSS, 87% responderam simplesmente: falta de dinheiro. Esse dado revela que o problema não se limita à descrença no sistema previdenciário, mas à ausência de margem financeira para planejar.
Entretanto, os números indicam também um fator comportamental: muitos entrevistados demonstram descrença em relação ao futuro, preferindo consumir no presente em vez de poupar.
Psicólogos chamam esse fenômeno de “desconto hiperbólico”: a tendência de valorizar recompensas imediatas em detrimento das de longo prazo. É um traço humano, mas que no Brasil se soma à escassez de renda e à falta de informação, formando uma combinação explosiva.
Educação financeira inexistente
Talvez o dado mais alarmante da pesquisa esteja na área da educação financeira. Nada menos que 95% dos entrevistados nunca receberam nenhuma orientação sobre aposentadoria. Entre os poucos que tiveram algum contato com conteúdos sobre o tema, 98% disseram que o aprendizado não foi suficiente para organizar uma vida financeira sustentável.
A informalidade, que atinge quase 39 milhões de trabalhadores, é outro obstáculo estrutural. Sem contribuição regular, essas pessoas ficam excluídas tanto do INSS quanto de planos de previdência privada que exigem aportes mensais. Além disso, trabalhadores informais têm renda variável, o que dificulta o compromisso de longo prazo.
Soluções de contribuição flexível, adaptadas a essa realidade, poderiam reduzir a exclusão. Micro-poupança automática, planos simplificados e uso de ferramentas digitais como o PIX são caminhos possíveis para incluir essa parcela da população.
Fonte: primeirapagina.com.br
Share this content:






Publicar comentário