“Se eu estiver mentindo, saio de MT”, afirma Taques ao cobrar destino dos R$ 308 milhões
O ex-governador Pedro Taques (PSB) publicou na noite dessa segunda-feira (02.02) um vídeo nas redes sociais em tréplica às declarações do governador Mauro Mendes (União) sobre o acordo firmado entre o Governo do Estado e a empresa Oi S.A..
Segundo Taques, a denúncia de R$ 308 milhões apresentada à Procuradoria-Geral da República (PGR) é resultado de uma investigação que, de acordo com ele, vem sendo conduzida desde meados do ano passado. O ex-governador afirma ainda que a acusação não tem relação com o calendário eleitoral. “Não poderia esperar passar o ano de eleições para denunciar um roubo desse tamanho. Na verdade, nenhum cidadão pode esperar nada pra denunciar corrupção, independente do lugar e da data que ela aconteça, mesmo se for ano eleitoral. Essa denúncia que fiz não tem nada a ver com eleição, mas sim, com um escândalo absurdo que ninguém teve coragem de falar”, declarou.
Nas redes sociais, Taques vem divulgando uma série de vídeos em que sustenta que o acordo com a Oi teria sido feito “fora da lei”, de forma sigilosa, sem previsão orçamentária, com violação da ordem de pagamento de precatórios e com supostos indícios de lavagem de dinheiro. Ele também utiliza expressões como “organização criminosa” e “facção dos inhos” ao se referir ao caso, e afirma que haveria “mais de R$ 308 milhões roubados do povo de Mato Grosso”.
Na gravação publicada na noite de ontem, o ex-governador afirma que não é alvo de ação movida por Mendes, mas que, como cidadão, é ele quem processa o atual chefe do Executivo. “Mauro, você não está me processando, eu, como cidadão, estou lhe processando. E provei que o dinheiro da Oi foi parar em contas ligadas a fundos e empresas do Berinho, do Fabinho, do Helinho, do Cidinho e do seu filhinho, seu filho e da Virginia Mendes. Isto está provado lá. Você tem que responder a uma única pergunta, Mauro Mendes. O dinheiro da Oi foi ou não, parou ou não, nas empresas ligadas ao seu filho? Você ‘panhou’ ou não ‘panhou’ o dinheiro da Oi? Se eu estiver mentindo, eu mudo de Mato Grosso”, afirmou.
Mais cedo no mesmo dia, em entrevista à imprensa, Mendes já havia reagido às acusações e negado qualquer irregularidade. O governador declarou que Taques “está mentindo e usando de má-fé processual” e que ele estaria motivado por interesses eleitorais. “O Pedro Taques está mentindo e usando de má-fé processual. Ele está motivado seguramente por interesses eleitorais”, disse. Mendes acrescentou que o ex-governador “mentiu em vários pontos” e tenta dar “alguma credibilidade, coisa que ele não tem” às acusações.
O governador também saiu em defesa da atuação da Procuradoria-Geral do Estado de Mato Grosso (PGE). “Ele resolveu fazer ataques que não têm o menor fundamento. A PGE está muito segura de tudo que fez”, afirmou. Segundo Mendes, as medidas judiciais já estão em andamento. “Ele já está sendo processado e vai ter que responder por isso”, declarou, acrescentando que as falas atingem não apenas o Governo, mas também sua família e servidores públicos. Para o governador, as declarações fazem parte de uma estratégia eleitoral. “Ele está tentando mais uma vez aplicar um golpe eleitoral. Mato Grosso não vai cair nesse golpe”, disse.
De acordo com a PGE, o acordo com a Oi foi celebrado em abril de 2024, no âmbito da Câmara de Resolução Consensual de Conflitos do Estado (Consenso/MT), com o objetivo de encerrar uma disputa judicial envolvendo execução fiscal. O termo previa a restituição de valores após análise dos riscos jurídicos e financeiros do processo. Ainda conforme o órgão, o acordo foi homologado pelo Judiciário e analisado pelo Ministério Público de Contas, que não apontou irregularidades.
Mesmo assim, as críticas continuaram a ser feitas publicamente. Segundo a PGE, documentos oficiais e assinaturas de procuradores passaram a ser expostos e associados a supostas condutas criminosas, o que, na avaliação do órgão, afeta a honra funcional de servidores, a imagem institucional da Procuradoria e a confiança da sociedade nas instituições públicas.
Diante do caso, o Estado apresentou interpelação judicial para que Pedro Taques esclareça formalmente se as falas têm caráter de opinião política ou se configuram acusações objetivas. O pedido inclui a indicação de quais atos ele considera ilegais, quais normas teriam sido violadas, quais provas sustentam as alegações e se houve comunicação aos órgãos de controle.
Fonte: www.vgnoticias.com.br
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