Usar o cartão virou dívida cara: juros passam de 50% ao ano
Pegar dinheiro emprestado no Brasil ficou mais caro, e o cartão de crédito se consolidou como um dos principais vilões do orçamento das famílias. Dados do levantamento Estatísticas monetárias e de crédito, divulgados nesta sexta-feira (26.12) pelo Banco Central do Brasil, mostram que, apesar do crescimento do crédito na economia, os juros elevados passaram a ser o principal peso para quem depende de empréstimos e parcelamentos.
Em novembro, a taxa média de juros das novas operações de crédito chegou a 31,9% ao ano. Para as famílias, o custo é ainda maior: 37% ao ano. Quando o assunto é crédito sem garantia, como empréstimo pessoal e cartão de crédito, os números disparam. Nessas modalidades, os juros médios ultrapassam 59% ao ano, com destaque para o cartão de crédito rotativo e o crédito não consignado, que seguem entre as linhas mais caras do sistema financeiro.
Mesmo com juros altos, o volume total de crédito continua crescendo. O chamado crédito ampliado — que reúne empréstimos bancários e títulos de dívida — alcançou R$ 20,3 trilhões, o equivalente à cerca de 161% do Produto Interno Bruto (PIB). Em um ano, esse montante cresceu mais de 11%, mostrando que famílias e empresas seguem recorrendo ao crédito para manter consumo e atividades.
As famílias lideram esse movimento. O crédito destinado a pessoas físicas chegou a R$ 4,7 trilhões, impulsionado principalmente por empréstimos pessoais, financiamento de veículos e uso do cartão de crédito. Já o crédito às empresas, que somou R$ 6,8 trilhões, cresce em ritmo mais lento, com maior uso de títulos de dívida e menos contratação de empréstimos tradicionais.
O problema é que o custo elevado começa a aparecer no orçamento doméstico. O endividamento das famílias já corresponde a quase metade da renda anual, enquanto o comprometimento da renda mensal com dívidas se aproxima de 30%. Isso reduz a margem para consumo e aumenta o risco de aperto financeiro, especialmente para quem depende de crédito caro para fechar as contas do mês.
Apesar desse cenário, a inadimplência ainda segue relativamente controlada. Cerca de 3,8% das dívidas estão em atraso superior a 90 dias, índice estável no curto prazo, mas maior do que o registrado no ano passado, principalmente entre pessoas físicas.
Na prática, os dados mostram uma contradição: há dinheiro circulando e o crédito continua sustentando parte da economia, mas a um preço cada vez mais alto. Para o consumidor, o alerta é claro — recorrer ao cartão de crédito ou a empréstimos sem garantia pode significar juros elevados que transformam uma solução rápida em um problema de longo prazo.
Fonte: www.vgnoticias.com.br
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