Fábrica de sonhos, farmácias e distribuidoras lavavam dinheiro do tráfico em MT
O que à primeira vista parecia um conjunto de pequenos negócios na região metropolitana de Cuiabá, com padarias, farmácias, empresas de energia solar e distribuidoras de bebidas, era, na verdade, parte de um elaborado esquema criminoso que movimentou mais de R$ 100 milhões do tráfico de drogas.
A Operação Conductor, deflagrada nesta manhã de terça-feira (2), pela Polícia Civil de Mato Grosso, revelou que pelo menos oito empresas eram usadas para lavar os lucros milionários do tráfico, operando como fachadas ou, em alguns casos, com atividades paralelas reais apenas para disfarçar o esquema.
O comando da operação financeira estava nas mãos do advogado Douglas Antônio Gonçalves de Almeida. Com residência em Várzea Grande e sem antecedentes criminais, ele coordenava toda a logística da organização, conduzindo desde o transporte das drogas vindas da fronteira de Cáceres com a Bolívia, ao armazenamento, distribuição.
“Era ele quem determinava os dias em que o transporte seria realizado, mantinha o controle da viagem de forma remota, efetuava o pagamento e era responsável pela manutenção da van utilizada como instrumento do crime. Ele também controlava o armazenamento da droga e definia para quem seria entregue. A irmã dele também está envolvida e executava suas ordens quanto à distribuição”, afirmou a delegada Bruna Laet.
Cabia ao advogado também fazer a lavagem de dinheiro por meio das empresas. Algumas sequer funcionavam de fato, eram criadas apenas para simular movimentações comerciais. Enquanto outras mantinham atividades para dificultar a identificação das irregularidades, como é o caso de uma confeitaria dedicada à produção de sonhos. O caso anterior inclui farmácias e empreendimentos no setor de energia solar.
A farmácia, por exemplo, movimentou em suas contas muito mais que o declarado como rendimento. “O relatório de análise fiscal apontou que a empresa declarou rendimentos de R$ 548.794,16 em 2023 e R$ 219.994,20 em 2024, mas movimentou mais de R$ 13 milhões em 2024. Ou seja, há uma discrepância entre o declarado e os créditos. É evidente que ela era utilizada para fins de lavagem de dinheiro proveniente do tráfico de drogas”, afirmou a delegada Bruna Laet.
A família do advogado também desempenhava papéis centrais na engrenagem criminosa. A esposa, o irmão, a irmã e até a mãe estão entre os alvos da operação policial deflagrada nesta terça-feira. Cada um com funções específicas: a irmã, por exemplo, era encarregada de receber as cargas de drogas em Várzea Grande, fazer a conferência dos estoques e, conforme as ordens de Douglas, distribuir os entorpecentes por pontos estratégicos da região.
Em um dos endereços ligados ao irmão do líder, a polícia encontrou 190 munições de diversos calibres, inclusive de fuzil 5,56. As buscas conduzidas nesta manhã resultaram ainda na apreensão de R$29 mil em espécie e o sequestro de cinco veículos, incluindo uma Dodge Ram, veículo avaliado em mais de R$200 mil.
Entre os 16 mandados de prisão preventiva, 12 foram cumpridos ainda nesta manhã, incluindo pessoas com passagens por tráfico de drogas.
Entrega de drogas em mercados
Segundo a delegada Bruna Laet, responsável pela investigação, as drogas não abasteciam apenas o tráfico local. Uma parte fortalecia uma facção criminosa regional, enquanto outra fatia era enviada para o Maranhão, onde abastecia uma facção em outro estado.
O esquema contava com casas alugadas para armazenamento das drogas e armas. Já a distribuição, era feita em locais públicos como estacionamentos de supermercados e terminais de ônibus, em tentativa de evitar a atenção da polícia.
A logística do transporte partia de Cáceres, na fronteira com a Bolívia, onde a droga era carregada em vans adaptadas, disfarçadas como veículos de transporte de passageiros. Em compartimentos secretos, malas e bolsas recheadas com entorpecentes cruzavam o estado até Várzea Grande, onde começava a etapa da distribuição e da “limpeza” do dinheiro.
Em apenas quatro meses, foram monitoradas mais de duas toneladas de entorpecentes movimentadas, o equivalente a uma carga por semana, gerando aproximadamente R$ 45 milhões no período.
Fonte: www.midiajur.com.br
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