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Seis das maiores cidades de MT estão fora do sistema de combate à fome

Seis municípios entre os mais populosos de Mato Grosso ainda não aderiram ao Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan), enquanto o Estado contabilizava 885 mil pessoas vivendo em domicílios com algum grau de insegurança alimentar em 2024. O cenário envolve Várzea Grande, Primavera do Leste, Cáceres, Pontes e Lacerda, Campo Novo do Parecis e Campo Verde, que, juntas, reúnem 676.215 habitantes.

A situação passou a ser acompanhada pelo Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), que anunciou na quarta-feira (09.09) a criação de um grupo de trabalho para mapear a insegurança alimentar nos 142 municípios do Estado e verificar como as políticas públicas destinadas à população estão sendo executadas.

Os dados do levantamento da reportagem, feito a partir de informações disponíveis no site oficial do Governo Federal, mostram que os seis municípios somavam, em agosto de 2026, 36.528 famílias e 107.725 pessoas beneficiárias do Bolsa Família. No mesmo período, foram pagos R$ 25,48 milhões pelo programa nessas cidades.

Várzea Grande concentrava o maior número de beneficiários, com 63.135 pessoas. Na sequência aparecia Cáceres, com 21.103. Primavera do Leste tinha 9.879 beneficiários; Pontes e Lacerda, 6.053; Campo Verde, 4.514; e Campo Novo do Parecis, 3.041.

Outro programa federal também alcançava moradores dos seis municípios. Em julho de 2026, 8.075 pessoas apareciam entre os beneficiários do Gás do Povo, considerando o valor de R$ 126 por pessoa utilizado no levantamento.

Considerando os 676.215 habitantes dos seis municípios, os 107.725 beneficiários do Bolsa Família representam cerca de 15,9% da população. Já as 8.075 pessoas beneficiárias do Gás do Povo correspondem a aproximadamente 1,2% dos moradores dessas cidades.

Os números municipais ajudam a dimensionar o contexto em que o TCE-MT decidiu ampliar o acompanhamento das políticas de segurança alimentar. Segundo dados da PNAD Contínua sobre Segurança Alimentar, em 2024, 885 mil pessoas em Mato Grosso viviam em domicílios com algum grau de insegurança alimentar. O número correspondia a 23% da população do Estado.

Do total, 660 mil pessoas estavam em situação de insegurança alimentar leve, enquanto 130 mil enfrentavam a condição moderada e 95 mil estavam em situação grave. Apesar da redução em relação a 2023, quando 1,08 milhão de pessoas estavam nessa situação, o problema ainda atingia uma parcela expressiva da população mato-grossense.

Municípios

Várzea Grande é o município mais populoso entre os seis analisados, com 323.172 habitantes. Administrada pela prefeita Flávia Moretti (PL), a cidade tinha 21.745 famílias e 63.135 pessoas beneficiárias do Bolsa Família em agosto.

Primavera do Leste, a cerca de 242 km de Cuiabá, possui 99.053 habitantes e registrou 9.879 beneficiários do Bolsa Família. Em Cáceres, a cerca de 217 km da Capital, são 91.908 moradores e 21.103 pessoas atendidas pelo programa federal.

Pontes e Lacerda, a aproximadamente 443 km de Cuiabá, possui 56.720 habitantes e contabilizava 6.053 beneficiários. Campo Novo do Parecis, a cerca de 400 km da Capital, reúne 53.393 habitantes e tinha 3.041 pessoas no Bolsa Família. Já Campo Verde, a aproximadamente 137 km de Cuiabá, possui 51.969 moradores e registrava 4.514 beneficiários do programa.

O que é o Sisan

Criado para integrar União, Estados, municípios e sociedade civil, o Sisan busca articular a formulação e a execução de políticas públicas voltadas à segurança alimentar e nutricional.

A ausência de adesão ao sistema não significa que o município não tenha moradores atendidos por programas de transferência de renda ou outras ações sociais. A questão está relacionada à integração da cidade à estrutura nacional de articulação das políticas de segurança alimentar.

É justamente essa adesão que deverá ser analisada pelo grupo de trabalho anunciado pelo TCE-MT. O levantamento deverá considerar aspectos como planejamento, financiamento, estrutura, cobertura dos programas e capacidade dos municípios de acessar recursos disponíveis.

A partir do diagnóstico, o Tribunal também poderá identificar os motivos pelos quais municípios de grande porte ainda não aderiram ao Sisan e se existem obstáculos administrativos ou estruturais que dificultam a integração das cidades ao sistema.

OUTRO LADO 

A reportagem entrou em contato com as Prefeituras dos seis municípios citados na reportagem. Até o fechamento, apenas a Prefeitura de Várzea Grande havia se manifestado. Em nota, o Município informou que está em processo de adesão ao Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan) e que trabalha para concluir as etapas necessárias ainda neste ano. A gestão também destacou ações já desenvolvidas na área de segurança alimentar, como incentivo à agricultura familiar, hortas comunitárias, educação alimentar e nutricional e ampliação do Restaurante Popular.

Veja a nota na íntegra:

NOTA

A Prefeitura de Várzea Grande informa que o município está em processo de adesão ao Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (SISAN). Para avançar, é necessária a aprovação, pela Câmara Municipal, da Lei Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional, que prevê a criação das instâncias municipais do sistema.

A gestão, por meio do setor de Segurança Alimentar e Nutricional da Secretaria de Assistência Social, trabalha para concluir as etapas necessárias ainda neste ano.

O município já elaborou o Diagnóstico Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional e desenvolve ações como incentivo à agricultura familiar, hortas comunitárias, educação alimentar e nutricional e ampliação do Restaurante Popular.

A Prefeitura reforça ainda o interesse em ampliar o acesso a programas e recursos federais de combate à fome e se mantém aberta à participação em discussões intersetoriais sobre segurança alimentar.

Fonte: www.vgnoticias.com.br

 

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