Dívidas afetam saúde, trabalho e até amizades de inadimplentes, aponta pesquisa
As dívidas estão afetando muito mais do que o orçamento dos brasileiros. Pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil revela que 86% dos consumidores com contas em atraso há mais de três meses desenvolveram problemas de saúde física relacionados ao estresse financeiro.
As principais consequências são alterações no sono (64%) e no apetite (52%). Além disso, 95% dos entrevistados relataram impactos emocionais, como preocupação constante (78%), ansiedade (73%), angústia (65%), estresse (65%) e culpa (64%).
O endividamento também interfere na rotina. Entre os trabalhadores inadimplentes, 61% afirmam que as dívidas prejudicam o desempenho profissional. Já na vida pessoal, 59% dizem que o problema afetou o convívio social e familiar, enquanto 76% deixaram de participar de eventos, como aniversários e casamentos, por falta de dinheiro.
“O levantamento mostra um forte custo social: as pessoas estão se isolando e rompendo vínculos familiares por vergonha ou falta de condições mínimas de convivência”, afirmou o presidente da CNDL, José César da Costa.
A pesquisa mostra ainda que 80% dos inadimplentes tentaram obter crédito no último ano. A principal finalidade foi quitar outras dívidas (54%), mas 12% buscaram empréstimos para fazer apostas online.
Entre as consequências mais sentidas da inadimplência estão a negativação do nome (53%), os juros elevados (35%) e a dificuldade para conseguir crédito em bancos e lojas (34%).
A pesquisa ouviu 609 consumidores com contas em atraso há mais de três meses, maiores de 18 anos, residentes nas capitais brasileiras. Os dados foram coletados entre 6 e 17 de março de 2026. A margem de erro é de 4 pontos percentuais, com 95% de nível de confiança.
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