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Padre Nazareno Lanciotti; a trajetória do único beato de Mato Grosso

Neste sábado (13), o município de Jauru (425 km de Cuiabá), será o palco de um marco histórico: a beatificação do Padre Nazareno Lanciotti. O missionário italiano, assassinado há 25 anos, teve sua luta formalmente reconhecida pelo Papa Francisco, e será o primeiro beato de Mato Grosso, uma honraria voltada à Diocese de São Luiz de Cáceres. Mais do que uma solenidade religiosa, a beatificação é o reconhecimento definitivo de uma vida marcada pela coragem, pelo profundo amor aos mais vulneráveis e por uma atuação social que transformou a região oeste do estado.

O padre Nazareno não limitou seu sacerdócio aos altares. Durante os 30 anos em que viveu em Jauru, ele assumiu o papel de construtor e protetor da comunidade, em uma época em que o município carecia de infraestrutura básica.

O religioso foi a figura central por trás da fundação de estruturas vitais para a cidade, como o hospital local, escolas e um lar para idosos.

 

Fundou 57 comunidades eclesiais rurais, descentralizando o acolhimento religioso, além de ter sido o grande responsável pela disseminação nacional do Movimento Sacerdotal Mariano.

 

“Ele não tinha medo de falar a verdade contra aquelas situações de exploração, de crime, do abandono de idosos e crianças”, destaca o padre Evandro Stefanello, atual administrador da causa de beatificação e ex-seminarista de Nazareno.

 

O que pavimentou o caminho de padre Nazareno para os altares da Igreja Católica foi, acima de tudo, o seu testemunho de fé levado. O missionário tornou-se a voz dos oprimidos na região, denunciando firmemente as injustiças, o crime organizado e a exploração local.

 

Essa postura firme contra a criminalidade o transformou em alvo de perseguições e intimidações constantes. Ameaças que se concretizaram em fevereiro de 2001, quando dois homens armados invadiram sua residência e dispararam contra ele. O padre resistiu por 10 dias no hospital antes de falecer, aos 61 anos.

 

Para a população local, a beatificação não é uma surpresa, mas a justiça feita a um homem que conviveu diariamente com o povo e cujos frutos de seu trabalho são visíveis até hoje.

 

Segundo o padre Stefanello, Nazareno deixou uma herança dupla e indissociável: a fé inabalável, focada na Eucaristia e na devoção, combinada com um compromisso social radical.

 

Vinte e cinco anos após o crime que tentou calar sua voz, o testemunho do padre Nazareno Lanciotti permanece mais vivo do que nunca, agora chancelado pelo Vaticano como um exemplo universal de santidade, coragem e amor ao próximo.

Beatificação
A Santa Missa de Beatificação do padre Nazareno Lanciotti acontece em 13 de junho deste ano, em Jauru, a partir das 9 horas. Representando o papa Leão XIV, o cardeal italiano Marcello Semeraro, prefeito do Dicastério para as Causas dos Santos, presidirá a solene celebração. A cerimônia terá transmissão ao vivo no YouTube da Canção Nova Cuiabá.

Fonte: www.gazetadigital.com.br

Foto: @beatonazarenolanciotti

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