Os afastamentos atingem servidores lotados nas Cadeias Públicas de Cáceres (9 servidores), Araputanga (10) e Mirassol d’Oeste (3).
O Tribunal de Justiça de Mato Grosso determinou o afastamento cautelar de 22 policiais penais suspeitos de envolvimento em episódios de tortura, maus-tratos e abuso de autoridade em unidades prisionais do Estado.
A decisão é do desembargador Orlando de Almeida Perri, no âmbito de um habeas corpus coletivo estrutural movido pela Defensoria Pública do Estado.
Os afastamentos atingem servidores lotados nas cadeias públicas de Araputanga (10), Cáceres (9) e Mirassol D’Oeste (3).
Os agentes deverão ser transferidos para funções exclusivamente administrativas, sem qualquer contato direto com pessoas privadas de liberdade, até nova deliberação judicial.
Na decisão, o magistrado afirma que os relatórios produzidos pelo Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário (GMF/MT) apontam indícios “graves e sistemáticos” de violações de direitos humanos, dentro das unidades.
As inspeções foram realizadas entre os dias 2 e 4 de março deste ano e reuniram relatos de presos sobre agressões físicas, uso desproporcional de spray de pimenta e gás lacrimogêneo em celas fechadas, punições degradantes e ameaças contra custodiados que denunciaram os fatos.
Segundo Orlando Perri, os elementos reunidos indicam “suficiente grau de plausibilidade” para adoção das medidas cautelares, diante do risco de intimidação de vítimas e testemunhas, além da possibilidade de comprometimento das investigações.
“A permanência dos agentes nas unidades prisionais apresenta risco concreto e demonstrado de intimidação às vítimas e testemunhas”, destacou o desembargador na decisão.
Além dos afastamentos, o TJ também determinou a instauração de inquéritos policiais para investigar possíveis crimes de tortura, maus-tratos e abuso de autoridade praticados pelos policiais penais.
As apurações ficarão sob responsabilidade da Polícia Civil.
A decisão ainda cobra da Secretaria de Estado de Justiça (Sejus) a identificação de dois servidores mencionados pelos presos apenas pelos apelidos de “Inês” e “Branquinho”, apontados como supostos participantes das agressões ocorridas na Cadeia Pública de Cáceres (225 km a Oeste de Cuiabá).
O desembargador também determinou que a Corregedoria da Sejus encaminhe cópias integrais de procedimentos administrativos que chegaram a ser arquivados anteriormente, para análise do Tribunal.
Veja os nomes dos servidores afastados:
Cadeia Pública de Araputanga
Laubenildo Barbosa Bento
Rogério Olioni
Israel Olioni
Amazalto da Cruz Moreira
Reginaldo Pacífico
Marcos Mateus Tomas Izidório (“Marquinho Corolla”)
Paulo César Ferreira Neves
Luciene Ribeiro
Elen Priscila Lopes de Castro Modesto
Janaína Rodrigues Savoine
Cadeia Pública de Cáceres (Unidade Masculina)
Adilson Silva do Amaral
Junio de Oliveira Cruz
Rodrigo Lara Ortega
Walter Aparecido da Cruz
Silvio Domingues
Jean Alves da Costa
Silvana Aparecida Coutinho
Hilsinei Lourenço da Silva Nogueira
Ediane da Silva Campos
Cadeia Pública de Mirassol D’Oeste
Cledir dos Santos Ferrarezzi
Adelcio Rodrigues da Silva
Ronaldo Silva Correia
Fonte:
Share this content:






Publicar comentário