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Inadimplência já atinge mais de 52% da população adulta em MT

Mais da metade dos adultos de Mato Grosso continua enfrentando dificuldades para manter as contas em dia.

De acordo com levantamento da Serasa, referente a fevereiro de 2026, 52,31% da população adulta do Estado estão inadimplentes.

O índice é inferior aos 52,54% registrados em dezembro de 2025, representando uma queda de 0,23 ponto percentual no período.

Apesar da leve redução, o percentual permanece acima da média nacional, atualmente em 49,87%, e reforça o alerta sobre a pressão no orçamento das famílias mato-grossenses.

No cenário nacional, o Brasil soma 81,7 milhões de inadimplentes, com alta de 0,51% em relação a janeiro.

O total de dívidas chegou a 332,1 milhões, crescimento de 1,52%, enquanto o valor médio devido por pessoa atingiu R$ 6.598,13, avanço de 2,24%.

O estoque total das dívidas no país já alcança R$ 539 bilhões, evidenciando os impactos do uso recorrente de crédito de alto custo e da ausência de planejamento financeiro de longo prazo.

QUEDA PONTUAL NÃO ELIMINA O DESAFIO – Para o presidente da Associação Brasileira de Profissionais de Educação Financeira no Mato Grosso (Abefin-MT), Sergio Sarro, mesmo com a leve redução, o cenário demonstra a necessidade de orientação financeira contínua e acessível.

Segundo Sarro, uma das soluções mais consistentes para reduzir a inadimplência no longo prazo é a inclusão da educação financeira comportamental nas instituições de ensino públicas e privadas, alcançando todas as idades e etapas da formação.

“A proposta é que a educação financeira seja trabalhada de forma lúdica e transversal nas disciplinas da grade escolar, permitindo que crianças e jovens desenvolvam, desde cedo, uma relação mais consciente com o dinheiro. Ainda melhor seria a criação de uma disciplina específica de educação financeira, dedicada exclusivamente ao tema”, explica.

Além de dialogar com representantes do poder público municipal, estadual e federal, Sarro também tem buscado o apoio do setor empresarial para fortalecer essa iniciativa.

Segundo ele, a inadimplência elevada não afeta apenas as famílias, mas toda a economia.

Milhares de consumidores deixam de comprar, empresas vendem menos e milhões de reais deixam de circular no comércio, reduzindo o ritmo de crescimento econômico.

CRÉDITO CARO E IMPACTO NA RENDA – O avanço da inadimplência em Mato Grosso está diretamente associado ao uso frequente de linhas de crédito com juros elevados, como cartão de crédito, cheque especial e parcelamentos longos, muitas vezes, contratados sem uma análise detalhada da capacidade de pagamento.

Esse comportamento compromete uma parcela significativa da renda mensal com juros, dificultando a redução efetiva das dívidas.

Segundo Reinaldo Domingos, presidente nacional da Abefin, sair da inadimplência exige estratégia, disciplina e consciência financeira.

“A inadimplência é consequência de decisões financeiras tomadas sem planejamento. Para mudar esse cenário, é essencial que a pessoa conheça sua realidade financeira, organize todas as dívidas, compreenda os juros envolvidos e priorize aquelas que mais comprometem o orçamento. Quando o consumidor passa a pagar o valor principal das dívidas, e não apenas os juros, inicia um processo real de recuperação financeira”, afirma.

CAMINHOS PARA SAIR DESSA SITUAÇÃO – O processo de reorganização financeira começa com o levantamento detalhado de todas as dívidas, considerando valores, prazos e taxas de juros.

Compromissos ligados a serviços essenciais, como moradia, energia elétrica e água, devem ser preservados, enquanto dívidas com juros mais elevados precisam ser tratadas como prioridade.

Outro passo fundamental é o controle rigoroso dos gastos.

Registrar todas as despesas por um período mínimo de 30 dias, inclusive os pequenos gastos do cotidiano, permite identificar excessos, rever hábitos de consumo e criar espaço no orçamento para a regularização das pendências financeiras.

A negociação com credores deve ocorrer somente após esse diagnóstico financeiro.

Ter clareza sobre quanto é possível pagar mensalmente evita novos atrasos e acordos que não se sustentam ao longo do tempo.

Em alguns casos, a reorganização das dívidas em uma única linha de crédito, com juros menores e prazos mais longos, pode reduzir a pressão financeira e permitir a quitação gradual dos débitos.

Quando não há possibilidade imediata de negociação, a formação de uma reserva financeira pode fortalecer o poder de negociação futura, especialmente junto a empresas de recuperação de crédito.

Além disso, refletir sobre decisões de consumo e alinhar os gastos aos objetivos de vida contribui para evitar novos ciclos de endividamento.

Mesmo com a leve queda registrada em fevereiro, o fato de 52,31% da população adulta de Mato Grosso permanecer inadimplente mostra que o estado ainda enfrenta um desafio estrutural, que exige educação financeira, planejamento e mudança consistente de comportamento para transformar a redução pontual em uma tendência sustentável de melhora.

Fonte: www.diariodecuiaba.com.br

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